Thursday, July 2, 2009

esqueci

ouvindo músicas que me lembram a história que vivi

tudo do seu lado

pouco tempo

poucas intensas memórias

viver é assim?

é isso que a gente sente que é bom ?

lembrar de alguém que nem quer estar do lado da gente?

suspiros

são espaços entre meus pensamentos

nesse momento falo comigo

palavreado de letras sem sentido

pude escolher uma dezena de músicas que conseguem expressar o meu pesar de te amar

suspiros

pesar de amar

suspiros de um esforço que nunca cansa a lembrança

a vida que já  vivi e me alcança

volta em mim como saudade

desejo de reencontro

de matar  a necessidade de se voltar

mas a razão também se faz presente

nada volta

ninguém está aqui além de mim

estou só

e ainda sim não me encontro

o que mais tenho saudade é do meu eu do seu lado

é de quem eu fui nos poucos instantes que estivemos juntos

eu nunca tinha me encontrado assim

e olha que eu me procurei

tenho feito isso minha vida inteira

numa busca incessante, insana

tentei me manter em mim mesmo distante de você

mas a saudade de mim na tua presença me fez me perder novamente

por mais que eu lembre da gente

eu vejo você ali

mas eu

eu me perdi

fiquei em algum lugar que não sei mais voltar

e a saudade me cansa ao ponto de nem querer mais me procurar


 

 

 

Posted by dani rosa at 05:48:09 | Permalink | No Comments »

Sunday, June 21, 2009

Romanticamente errada

 


 

amo

amor distante

inconstante

porque tá longe o que o coração quer perto

senti saudade

de querer estar do lado

mas não estar : doeu

e amor pra mim não tem choro de triste

mesmo se o amor desiste!

mas chorei

a lágrima salgada veio pra lembrar que não vai mais estar perto

o amor era mar

e agora é deserto

então pensei em esquecer

mas amor nunca se apaga

ele se transforma

ele se desloca mas nunca some assim

quantos amores ainda existem para caberem dentro de mim?

sempre penso que esse é o último e que a partir desse nunca mais!!!

mas como eu me engano

entra e sai ano

e a emoção se modifica

o amor é o que me agita

é o que me faz ficar aqui

caçando palavras

presa em pensamentos

distribuindo sentimentos

quero sempre errar

se meu erro for amar!!!!!!!

 

 

 

Posted by dani rosa at 22:05:02 | Permalink | No Comments »

Thursday, June 11, 2009

Expectativas

Pensei em querer

então desisti

o querer não me bastava daí me confundi

pensar ou desejar?

melhor divagar

então sentei escrevi

desisti do querer

e pensei que entendi

mas continuo querendo encontrar as palavras para dizer o que não quero mais

e continuo querendo os pensamentos que me fazem melhor

melhorar o meu não querer de coisas e pessoas

difícil parar diante do querer e deixar que ele encontre seu próprio lugar

ainda mais nesse mundo de se querer tanto!!

longe das minhas ações e palavras

bem distante dos meus pensamentos

é lá que quero meu querer

daí usa palavras para me distrair e fazer

isso , tenho que fazer

mas o que?

vou começar escrevendo um outro poema


 

Posted by dani rosa at 04:03:35 | Permalink | No Comments »

Sunday, May 17, 2009

poucas palavras

Hoje eu estou com uma sensação de espaço dentro de mim .

Sabe aquele vazio, mas não é ele.

Porque eu sei o vazio, ele me é raro mas é inconfundível!

Estou com a sensação de pouco!

Um pouco que parece ser incompleto.

E é um é pouco de amor.

 Cheguei a conclusão que só meu amor próprio não me basta!

Tô querendo mais!

Tô precisando sem querer pedir.

Porque amor alimenta mas não é comida!

A gente tem que receber sem ter feito pedido algum!

É tão humano se sentir assim que nesses momentos esqueço da minha alma dentro de mim!


 

daniela rosa

dezessete de maio de dois mil e nove

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Wednesday, May 13, 2009

A cagada

 


 

 

Na intimidade da manhã e na  coletividade de uma rua , com prédios, casas esquinas e farol: uma árvore, e  nela também um canteiro.

Um pedinte que nada mendigava, passa por ela enrolado em seu cobertor, manhã de inverno.

Ele volta , olha pra árvore, e com a naturalidade que invejaria qualquer um que tem prisão de ventre, abaixa suas calças.

A gente só se constrange para defecar quando o faz em banheiro alheio.

Porque com ele seria diferente? Por ser ele alguém socialmente excluído?

Saibam que os excluídos também excluem!!!!!

Eu me senti conivente com sua atitude.Muitas vezes  me sinto assim: cagando para o mundo!!!

A árvore então, á tempos não recebe em sua raiz  algo tão orgânico !! Deve estar cansada de bitucas,  plásticos e pedaços de papel .

E lá no meu íntimo, eu invejei esse homem, por ter a dignidade de mostrar sua necessidade sem o menor pudor e dizer com merda aquilo que muitas vezes tento dizer com palavras!

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Monday, May 11, 2009

Rainhas

Era uma vez, num reino de arte aonde a imaginação era a lei, duas rainhas e três coroas. Eram duas mulheres soberanas. Três coroas afiadas . O poder cortante do julgamento faz um reino sangrento. E haja melaço e groselha para se encenar as guerras da história! Um único espaço labiríntico, aonde as palavras desviavam os pensamentos do caminho do coração. Enquanto uma bexiga vermelha pulsava um líquido contido, eu imaginava. Passei duas horas olhando, tentando mas sem entender. No alto de minha torre, olhei para baixo através da fresta do camarim da atriz.( É que a torre que me prendia não tinha janela.) Muitos suspiros rubros me foram arrancados. Já os sorrisos dei de bom grado. Era uma vez eu na platéia imaginando um reino inexistente, aonde as favas que foram oferecidas ao povo não foram usadas na balança. Elas foram regadas pelo suco de vinho uva e brotaram como eras traçando um novo e caótico jardim aonde flores raras eram confundidas com ervas daninhas. Quando a luz se apagou, eu sai de volta ao meu título de rainha do lar, guiada pelo cetro de pau que comanda minhas panelas. Pensei em duas atrizes rainhas e o quanto elas eram belas.
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Thursday, April 30, 2009

Sobre a mudança do meu nome

Sobre a mudança do meu nome:


 

daniela ramos de folhas verdes

que um dia deram botões de flores

de daniela rosa

Posted by dani rosa at 22:30:39 | Permalink | No Comments »

Friday, April 24, 2009

Palavras caídas

Andava pela calçada procurando poesia , tinha nas mãos um livro aberto.
Embriagada pela linha escrita, sentei.
Um instante, abro novamente o mesmo livro, sem marcador.
Título á título lembrei com o coração aonde parei.
E ali , no limiar entre uma página e a outra achei uma verde folha pequenina que me fora jogada por alguma árvore do caminho.
A poesia me encontrou.
Posted by dani rosa at 17:11:14 | Permalink | Comments (1) »

Friday, April 17, 2009

Goiabeira

    Outro dia uma goiabeira me disse que não tinha mais tempo para frutificar. Ficou muito chateada porque o tempo tava seco e fruta é sempre água.
    Nem garoa, nem chuvisco !
    Ela seca tinha folhas que gritavam de saudades de gota. Saudade de chão de terra sem concreto por cima. Chão de fazer poça em dia de chuva.
    Lembrou da sua infância e de quanto fôra ingrata na adolescência porque vivia reclamando da criançada  ( que hoje são avós) só porque elas ficavam a tarde inteira subindo em seus galhos e comendo seus frutos.
As goiabas tudo bem, porque fruto nasce para crescer, amadurecer e alimentar , crianças e passarinhos. Mas ela reclamava era das pézadas delas , que muitas vezes lhe quebravam os galhos pequenos.
Bastava subir uma criança que logo apareciam todas as outras. Era uma gangue de crianças goiabeiras!
Muitas vezes nem esperavam a fruta ficar madura, comiam verde mesmo!
    A goiabeira gostava quando a Nhá benzedeira colhia seus galhos.
    Eu não entendi muito o porque, afinal a benzedeira também lhe quebrava os galhos, e perguntei a árvore o porque da diferença.
     Ela me explicou que por se tratar de uma sábia senhora , ao colher os galhos para benzimento, tudo era feito com muito carinho, aonde ela pedia licença pra goiabeira e até entoava uma oração cantada.
A goiabeira disse que nem doia , se sentia mais forte ficava com o corpo todo cheio de uma luz verde . Isso sem contar o quanto se sentia honrada por saber que seus galhos ajudavam a descarregar as amarguras das pessoas de fé.
    A tarde foi chegando e o sol se escondendo, eu tinha que ir . Me despedi da goiabeira que ficou feliz por ter alguém que lhe ouvisse. Disse que continuaria ali, até o dia em que um vizinho achasse que suas folhas sujam demais o chão , e a cortassem fora. Igual fizeram  com o Ipê amarelo seu vizinho.
Ele dourava a passagem para as pessoas fazendo uma trilha de flores, mas foi assassinado. Um homem da casa ao lado jogou veneno nele na calada da noite porque dizia que ele entupia a calha de seu telhado com flores amarelas.
- Sabe moça- disse me a goiabeira- Os tempos hoje são outros, as pessoas não enxergam mais as árvores, tem criança que nem entende como se dá o fruto! Raramente aparece passarinho. Eu sei que se estou aqui , sou uma sobrevivente, mas me entristece passar a vida dando fruto mirrado que apodrece no chão. Eu gosto de ter meus galhos inteiros com muitas folhas para beber bastante luz de sol, servir de instrumento pra benção, mas hoje ninguém benze mais !
-Sabe moça…- concluiu ela- Eu era feliz e não sabia!

    

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Feriado Nacional

Famílias caminham no ritmo normal
o tempo é o real

Nada decorreria
A velocidade tem outro dia

Sobre rodas deslizam jovens pés
Sempre rasgando o momento estabelecido

Um outro passa ouvindo o som que ele mesmo escolheu
E no coqueiro resmunga o papagaio algo que ninguém entendeu

Um caminhão acelera distante
Enquanto a folha de árvore reverbera o ventoe seu instante

Um pai aflito chama o filho com um grito

Um cachorro leva seu dono para passear
E um casal conversa o assunto da namorada que não para de falar

Aquele que desce sobe outra vez
O rapaz nomeia o movimento do seu corpo comuma gíria em inglês

A copa da árvore é muito frondosa
desenha na grama uma sombra gostosa

Dia de feriado sem contagem de tempo parece não ter fim
Tudo dura o instante da importância dos fatos que capturo pra mim

são paulo,vinte de novembro de dois mil e oito.

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