Memórias em gotas ( especialmente para o Dô)
Quando chove de fazer poça em que gota pequena reverbera feito onda gigante, pinga em mim uma lembrança remota dos meus tempos de criança.
De quando brincava na rua e pedia pra chover enxurrada. Pra que qualquer madeira quebrada servisse de prancha.
E descer a ladeira na corredeira da água suja da chuva, que minha mãe não queria, porque não sabia que descia meus sonhos ainda límpidos.
Tudo isso na companhia de meus amigos e de meu irmão mais velho.
Hoje parada no semáforo vermelho, no compromisso da responsabilidade adulta, me veio uma vontade imensa de deitar na faixa de pedestres. Parar o trânsito e ficar nua vestida de água do céu.
Pensei no dia em que convidei meu filho para experimentar minha infância dizendo que queria tomar chuva com ele no parque .
Lembro do olhar de reprovação que ele me deu.
Mesmo que ele esteja crescendo ainda não cresceu de todo. Pensei eu depois de ter feito o convite.
Ele me olhou como se meu desejo fosse extravagância até para uma criança, imagina então para mim , a criança já crescida que lhe dera vida!!!
O semáforo abriu e senti que o mundo tirou da infância a liberdade que só as brincadeiras sem trânsito podem trazer.
Pensei no mundo sinalizado e o quanto queria que chovessem brincadeiras de rua dentro dos “memory cards” que ocupam o espaço no coração da imaginação infantil.
vinte e cinco de julho de dois mil e nove