Saturday, July 25, 2009

Memórias em gotas ( especialmente para o Dô)

Quando chove de fazer poça em que  gota pequena reverbera feito onda gigante, pinga em mim uma lembrança remota dos meus tempos de criança.

De  quando brincava na rua e pedia pra chover enxurrada. Pra que qualquer madeira quebrada servisse de prancha.

E descer a ladeira na corredeira da água suja da chuva, que minha mãe não queria, porque não sabia que descia meus sonhos ainda límpidos.

Tudo isso  na companhia de meus amigos e de meu irmão mais velho.

Hoje parada no semáforo vermelho, no compromisso da responsabilidade adulta, me veio uma vontade imensa de deitar na faixa de pedestres. Parar o trânsito e ficar nua vestida de água do céu.

Pensei no dia em que convidei meu filho para experimentar minha infância dizendo que queria tomar chuva com ele no parque .

Lembro do olhar de reprovação que ele me deu.

Mesmo que ele esteja crescendo ainda não cresceu de todo. Pensei eu depois de ter feito o convite.

Ele me olhou como se meu desejo fosse extravagância até para uma criança, imagina então para mim , a criança já crescida que lhe dera vida!!!

O semáforo abriu e senti que o mundo tirou da infância a liberdade que só as brincadeiras sem trânsito podem trazer.

Pensei no mundo sinalizado e o quanto queria que chovessem brincadeiras de rua dentro dos “memory cards” que ocupam o espaço no coração da imaginação infantil.


 

vinte e cinco de julho de dois mil e nove

 

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Wednesday, July 15, 2009

Solidão inexistente

 


 

estou  com vontade das pessoas que eu amo

coração transbordando beijos e suspiros

sorrisos guardados no pensamento me trazem um momento que quero sentir

a vida me presenteia amores que perpetuam o meu existir

cada inspiração inalada de um piscar de olhos

retratos  das sensações verdadeiramente apreendidas

amores

vidas

todos juntos dizendo que são sempre maiores

sempre mais

depois do encantamento é impossível dizer jamais

 

 

catorze de julho de dois mil e nove

daniela rosa

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Thursday, July 2, 2009

esqueci

ouvindo músicas que me lembram a história que vivi

tudo do seu lado

pouco tempo

poucas intensas memórias

viver é assim?

é isso que a gente sente que é bom ?

lembrar de alguém que nem quer estar do lado da gente?

suspiros

são espaços entre meus pensamentos

nesse momento falo comigo

palavreado de letras sem sentido

pude escolher uma dezena de músicas que conseguem expressar o meu pesar de te amar

suspiros

pesar de amar

suspiros de um esforço que nunca cansa a lembrança

a vida que já  vivi e me alcança

volta em mim como saudade

desejo de reencontro

de matar  a necessidade de se voltar

mas a razão também se faz presente

nada volta

ninguém está aqui além de mim

estou só

e ainda sim não me encontro

o que mais tenho saudade é do meu eu do seu lado

é de quem eu fui nos poucos instantes que estivemos juntos

eu nunca tinha me encontrado assim

e olha que eu me procurei

tenho feito isso minha vida inteira

numa busca incessante, insana

tentei me manter em mim mesmo distante de você

mas a saudade de mim na tua presença me fez me perder novamente

por mais que eu lembre da gente

eu vejo você ali

mas eu

eu me perdi

fiquei em algum lugar que não sei mais voltar

e a saudade me cansa ao ponto de nem querer mais me procurar


 

 

 

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