Thursday, April 30, 2009

Sobre a mudança do meu nome

Sobre a mudança do meu nome:


 

daniela ramos de folhas verdes

que um dia deram botões de flores

de daniela rosa

Posted by dani rosa at 22:30:39 | Permalink | No Comments »

Friday, April 24, 2009

Palavras caídas

Andava pela calçada procurando poesia , tinha nas mãos um livro aberto.
Embriagada pela linha escrita, sentei.
Um instante, abro novamente o mesmo livro, sem marcador.
Título á título lembrei com o coração aonde parei.
E ali , no limiar entre uma página e a outra achei uma verde folha pequenina que me fora jogada por alguma árvore do caminho.
A poesia me encontrou.
Posted by dani rosa at 17:11:14 | Permalink | Comments (1) »

Friday, April 17, 2009

Goiabeira

    Outro dia uma goiabeira me disse que não tinha mais tempo para frutificar. Ficou muito chateada porque o tempo tava seco e fruta é sempre água.
    Nem garoa, nem chuvisco !
    Ela seca tinha folhas que gritavam de saudades de gota. Saudade de chão de terra sem concreto por cima. Chão de fazer poça em dia de chuva.
    Lembrou da sua infância e de quanto fôra ingrata na adolescência porque vivia reclamando da criançada  ( que hoje são avós) só porque elas ficavam a tarde inteira subindo em seus galhos e comendo seus frutos.
As goiabas tudo bem, porque fruto nasce para crescer, amadurecer e alimentar , crianças e passarinhos. Mas ela reclamava era das pézadas delas , que muitas vezes lhe quebravam os galhos pequenos.
Bastava subir uma criança que logo apareciam todas as outras. Era uma gangue de crianças goiabeiras!
Muitas vezes nem esperavam a fruta ficar madura, comiam verde mesmo!
    A goiabeira gostava quando a Nhá benzedeira colhia seus galhos.
    Eu não entendi muito o porque, afinal a benzedeira também lhe quebrava os galhos, e perguntei a árvore o porque da diferença.
     Ela me explicou que por se tratar de uma sábia senhora , ao colher os galhos para benzimento, tudo era feito com muito carinho, aonde ela pedia licença pra goiabeira e até entoava uma oração cantada.
A goiabeira disse que nem doia , se sentia mais forte ficava com o corpo todo cheio de uma luz verde . Isso sem contar o quanto se sentia honrada por saber que seus galhos ajudavam a descarregar as amarguras das pessoas de fé.
    A tarde foi chegando e o sol se escondendo, eu tinha que ir . Me despedi da goiabeira que ficou feliz por ter alguém que lhe ouvisse. Disse que continuaria ali, até o dia em que um vizinho achasse que suas folhas sujam demais o chão , e a cortassem fora. Igual fizeram  com o Ipê amarelo seu vizinho.
Ele dourava a passagem para as pessoas fazendo uma trilha de flores, mas foi assassinado. Um homem da casa ao lado jogou veneno nele na calada da noite porque dizia que ele entupia a calha de seu telhado com flores amarelas.
- Sabe moça- disse me a goiabeira- Os tempos hoje são outros, as pessoas não enxergam mais as árvores, tem criança que nem entende como se dá o fruto! Raramente aparece passarinho. Eu sei que se estou aqui , sou uma sobrevivente, mas me entristece passar a vida dando fruto mirrado que apodrece no chão. Eu gosto de ter meus galhos inteiros com muitas folhas para beber bastante luz de sol, servir de instrumento pra benção, mas hoje ninguém benze mais !
-Sabe moça…- concluiu ela- Eu era feliz e não sabia!

    

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Feriado Nacional

Famílias caminham no ritmo normal
o tempo é o real

Nada decorreria
A velocidade tem outro dia

Sobre rodas deslizam jovens pés
Sempre rasgando o momento estabelecido

Um outro passa ouvindo o som que ele mesmo escolheu
E no coqueiro resmunga o papagaio algo que ninguém entendeu

Um caminhão acelera distante
Enquanto a folha de árvore reverbera o ventoe seu instante

Um pai aflito chama o filho com um grito

Um cachorro leva seu dono para passear
E um casal conversa o assunto da namorada que não para de falar

Aquele que desce sobe outra vez
O rapaz nomeia o movimento do seu corpo comuma gíria em inglês

A copa da árvore é muito frondosa
desenha na grama uma sombra gostosa

Dia de feriado sem contagem de tempo parece não ter fim
Tudo dura o instante da importância dos fatos que capturo pra mim

são paulo,vinte de novembro de dois mil e oito.

Posted by dani rosa at 00:23:25 | Permalink | No Comments »

Brasil carnaval dois mil e sempre?

800 reais de abadá
e você olhando uma fileira  de guardas andando nas ruas
repressão
opressão
empurrão

1000 reais de abadá
whisky 150 reais
energético
bebida to drink imaginação

música de três palavras
som de nenhum verbo
carnaval: inércia da atitude

um de março de dois mil e nove

Posted by dani rosa at 00:14:14 | Permalink | No Comments »

Thursday, April 16, 2009

Salvador Bahia, 28 de fevereiro de 2009.

Mesmo sendo uma noite de alegrias
cabe nela a indignação
Homens negros
Homens pobres
Polícia ladrão

- Espalma!!!

Dignidade não tem nome
 É coisa de alma.
Fere no outro sua parte de homem
Coincide com a ausência da atitude
me inquieta a alheia tolerância
me entristece minha insignificância
ser alguém que nada pode fazer
ser alguém que tem que temer
passar e não olhar
passar e me calar
só não deixo de pensar
nem de  tentar entender
Espalma
Palma
Pobre
Miséria

- Estende a mão!!!!!

Isso é um assaldo de  um poema de indignação !!!
Minha arma, contra os bandidos vestidos de mocinhos da minha nação!
Aonde a história é um caminho na escuridão
e a única luz transformadora é a educação
Até quando esperar então?

Posted by dani rosa at 00:13:57 | Permalink | No Comments »

Tuesday, April 14, 2009

Que coisas habitam minha cabeça?

Que coisas habitam minha cabeça?

meu pensar
apesar dele voar
quero fixar palavras

 coisas cabem em pedaços
grandes ou pequenos

sentimentos formados de letras
 cada uma
é o si e toda a palavra

muitas coisas

 frases
muitas frases são só sons

 tenho pertencido ao meu cocoruto
 ao começo do que é minha cabeça
a parte que fica o tempo todo de olho no céu
quando estou acordada e não deitada

já dormindo tudo ganha sentido
os meus sonhos nesse momento se desfazem das letras
derretendo-se em formas e cores
algo muito real
coisa de se pegar
com a luz da gente

Posted by dani rosa at 03:25:44 | Permalink | No Comments »