Monday, September 29, 2008

Paulista de água salgada

 Quando um dia estive na Bahia, uma senhora baiana mãe de uma amiga me disse que meu umbigo havia sido enterrado lá.
Sabia que umbigo é coisa que nos alimenta dentro da placenta , e quando cai é porque não nos serve mais.
Mas no caso em questão esse “umbigo “ enterrado foi me dado como chão.
Então entendi que o chão que minha alma pisa é líquido.
Meu corpo eventualmente se salga na ausência da areia molhada do mar.
Começa pelos olhos e vai escorrendo até chegar aos cotovelos, que ardem ,doem de inveja de quem mora de frente pro azul, verde, esverdeado, anil….
O sal -lágrima chega ao coração e transborda poesia , infinitamente dilacerante…
A sensação é um pouco dor , muita memória e um resistir imenso. Daí vem um suspiro prolongado e o líquido vai descendo, chega na parte íntima e adentra, como outro ser que veio de mim.
E lá fecunda, transmuta e pulsa tudo de novo pro coração. Essa parte reabilita-se para novamente ser solicitada e se reapresentar em emoção.
Tem uma parte que escorre direto, não vira na curva da púbis, passa reto , descendo pelas pernas e chegando ao chão.
É quando os pés se afogam por recusarem-se a nadar.
Eles insistem em marcar a diferença entre uma poça de água salgada, e a infinidade do desejado mar.

O ar está em mar, assim como mar está em amar.

Isso pra mim explica tanta coisa………

Posted by dani rosa in 18:38:11 | Permalink | No Comments »