Paulista de água salgada
Quando um dia estive na Bahia, uma senhora baiana mãe de uma amiga me disse que meu umbigo havia sido enterrado lá.
Sabia que umbigo é coisa que nos alimenta dentro da placenta , e quando cai é porque não nos serve mais.
Mas no caso em questão esse “umbigo “ enterrado foi me dado como chão.
Então entendi que o chão que minha alma pisa é líquido.
Meu corpo eventualmente se salga na ausência da areia molhada do mar.
Começa pelos olhos e vai escorrendo até chegar aos cotovelos, que ardem ,doem de inveja de quem mora de frente pro azul, verde, esverdeado, anil….
O sal -lágrima chega ao coração e transborda poesia , infinitamente dilacerante…
A sensação é um pouco dor , muita memória e um resistir imenso. Daí vem um suspiro prolongado e o líquido vai descendo, chega na parte íntima e adentra, como outro ser que veio de mim.
E lá fecunda, transmuta e pulsa tudo de novo pro coração. Essa parte reabilita-se para novamente ser solicitada e se reapresentar em emoção.
Tem uma parte que escorre direto, não vira na curva da púbis, passa reto , descendo pelas pernas e chegando ao chão.
É quando os pés se afogam por recusarem-se a nadar.
Eles insistem em marcar a diferença entre uma poça de água salgada, e a infinidade do desejado mar.
O ar está em mar, assim como mar está em amar.
Isso pra mim explica tanta coisa………