Monday, September 29, 2008

Paulista de água salgada

 Quando um dia estive na Bahia, uma senhora baiana mãe de uma amiga me disse que meu umbigo havia sido enterrado lá.
Sabia que umbigo é coisa que nos alimenta dentro da placenta , e quando cai é porque não nos serve mais.
Mas no caso em questão esse “umbigo “ enterrado foi me dado como chão.
Então entendi que o chão que minha alma pisa é líquido.
Meu corpo eventualmente se salga na ausência da areia molhada do mar.
Começa pelos olhos e vai escorrendo até chegar aos cotovelos, que ardem ,doem de inveja de quem mora de frente pro azul, verde, esverdeado, anil….
O sal -lágrima chega ao coração e transborda poesia , infinitamente dilacerante…
A sensação é um pouco dor , muita memória e um resistir imenso. Daí vem um suspiro prolongado e o líquido vai descendo, chega na parte íntima e adentra, como outro ser que veio de mim.
E lá fecunda, transmuta e pulsa tudo de novo pro coração. Essa parte reabilita-se para novamente ser solicitada e se reapresentar em emoção.
Tem uma parte que escorre direto, não vira na curva da púbis, passa reto , descendo pelas pernas e chegando ao chão.
É quando os pés se afogam por recusarem-se a nadar.
Eles insistem em marcar a diferença entre uma poça de água salgada, e a infinidade do desejado mar.

O ar está em mar, assim como mar está em amar.

Isso pra mim explica tanta coisa………

Posted by dani rosa at 18:38:11 | Permalink | No Comments »

Wednesday, September 24, 2008

Trinta e quatro, a data, a idade, a pedra no sapato

São trinta e quatro anos

muitos deles já errados alguns outros acertados…

poucos doloridos

mas sem exclusão: todos consumidos !

muitos encontros

algumas perdas

tenho tantas saudades…

mas muitas , muitas felicidades !

sempre estou no eterno retorno de aprender a ser

eis eu aqui com essa data que mais uma vez  enumera o meu crescer

que venham mas trinta e quatro!!!!!

e eu aos sessenta e oito:

espero teatrar durante a noite e de manhã assar biscoito :

-para os amigos que até lá  agüentarem minha contínua transmutação

-para os netinhos que vierem com amor e dedicação

a vida é assim, é pra passar mesmo !

o bom dela é o amor

esse sim , esse fica!

e mesmo na morte

nunca se vai

por isso renasço a cada dia

todo encontro com alguém será sempre um recomeço

daí o eterno me procurar

porque amando o outro sempre me esqueço!!!!!!!!

Posted by dani rosa at 18:48:01 | Permalink | Comments (1) »

Saturday, September 13, 2008

encontros

Você já olhou alguém que achava que conhecia? Mesmo sabendo que é a primeira vez?
O olhar do outro reconhece a gente. Não,  não é que acredito em amor á primeira vista, mas o primeiro olhar sempre dá uma pista. Dá um sorriso preciso. Entrega um pedaço de algo que começa ali, naquele momento.
Pode ser que a gente sinta coisas que nunca sentiu.
Eu poucas vezes sinto olhares que me constrangem. Não um constranger de ruim, de envergonhar, mas um constranger de parecer que a pessoa te conhece mais do que você mesmo . Me dá uma certa timidez. e eu nunca sou tímida. Nunca sinto a inibição.
Mas o sorriso que não vem da boca, cativa muito mais.Ele engole seu suspiro de um jeito curioso. Desconcerta, faz a gente desviar o olhar, mesmo gostando de ser olhada. Dá um frio de se ter a alma roubada. E alma é algo que não se compra, pra alguns só se vende.
Eu não .Não vendo. . Nem empresto. Mas raramente dou.Por que quando dou, faço por motivos sinceros, puros, verdadeiros. Entrego assim como um presente ou algo pra ser saboreado. Porque a alma tem sabor.
Tem vezes que tem gosto amargo, daí só se dá pra quem realmente tem um amor apurado pela gente. Tem dias em o sabor da alma é doce, nesses dias parece que ela procria, parece que ela se desmancha em partes desiguais e sai por ai se distribuindo.
Hoje eu me senti assim. Por um instante senti minha alma sendo fragmentada.Não sei o sabor que tinha. Não pensei em doar. Quando vi, já tinha dado, e o mais curioso fiquei encabulada. Entreguei um pedaço dessa alma sem nem ter intenção. Foi tão rápido mas tive a sensação que vai durar a vida inteira.

Posted by dani rosa at 04:55:17 | Permalink | No Comments »

Tuesday, September 9, 2008

Tem dias que me sinto como carne mal passada….

estou atrás de pegadas que não pisei
de espaços que fechei
coisas abertas caíram pelo caminho
um rio ri sozinho
água terrosa
amor límpido cristalino
sou ser serpentino
luz na imensidão
escuro de mim
sozinho vagando então
perdi coisas pequenas
grandes estrelas esmaguei
solta no espaço me enlaço
num campo que ceifei
deixaria de existir alguns segundos
se pudesse viajar em outros mundos
se pudessse navegar no fundo do mar
e não afundaria
co-existiria
como lagosta salgada
de areia molhada
levantando poeira
buscando alimento
coração de cimento
és meu tormento
cansaria das palavras vomitadas em poesia
musicaria
todas as melodias faladas
todas as letras não rimadas
e seria queimada
consumida como o ar pela chama
e me bastaria em ficar na cama
sem mais nada a fazer
não posso muito
mas posso uma vida inteira
derradeira essa minha sina
arte
liberta-me de mim
estou trancada nessa casa sem fim
meu corpo vestido
que se esquece de ser nú
meu corpo rasgado
que desejaria ser devorado crú

Daniela Rosa
dia oito do mês de número oito do ano de dois mil e oito

Posted by dani rosa at 03:50:11 | Permalink | No Comments »

Wednesday, September 3, 2008

Si cyber

sou em quem procura

pessoas

uma imagem alguém

desejo , tanto

mais tanto mais um comum

ser único não é ser um

é ser especial

arrepio na pele

sede de boca

muito suor

a carne é melhor

mais do que alta definição

palavras , risadas , satisfação

é sempre um pouco

mas pode também ser muito

tem coisas que a imaginação dá

mas também tira

desejo que não se realiza vira frustração

olho um vazio que antes era tesão

passei algumas horas só imaginando

gostei

fui eu que aceitei

depois de tudo

nada

fiquei um pouco angustiada

nada apaixonada

é estranho ser virtual

me traz saudades de ser bicho

porque penso em cheiro

penso em quero

penso em arranhar

megapixels?

o ar?

deixe estar

lá na virtuosidade da rede

ela tem tramas que é pra se conectar

mas tem hora que pega

tira da imagem

e tortura um outro lugar


 

 

Posted by dani rosa at 21:33:47 | Permalink | No Comments »

Imagens

 


 

sou eu quem me fala

me descreve
olhando a tela
que transcreve
o que sou e o que aspiro
uma imagem
um suspiro
tem desejos imensos
coisas que pulsam sem parar

perdidamente procuro acertar

tantos erros

muitos aprendizados

sonhos

pedaços da consciência jogados

pra que ter um eu ?

pra que ser?

penso em estar viva

não em crescer

penso também na morte

mas nunca em morrer

tem hora que olha bem dentro , bem no fundo de mim

olhando com cuidado percebo não ter um centro

mas ter um fim

choro quando estou alegre

e me sinto cansada na tristeza

nem meus sentimentos são em mim uma certeza

somente certa da transformação

cada dia um mundo

cada momento uma ilusão

imagens , pedaços desconexos de se encaixar

cada instante , cada palavra

é uma eterna luta para continuar a ser

e não me perder em apenas estar

 

 

 

Posted by dani rosa at 21:32:32 | Permalink | No Comments »