eterna aprendiz

arte e poesia para sobreviver ao dia-a-dia

Julho 31, 2011
dani rosa
0 comentários

Qualquer olho tem seu instante de cegueira

Tenho uma casa de vidro

Com um telhado incolor que da pra  ver o sol de dia e a noite de lua estrelada

Com chuva forte, as goteiras aparecem, e cacos caem pela casa

Escorrem verdadeiros rios pelas paredes

Cada canto é uma queda, uma pequena cachoeira

Tem dias de seco também

O vidro esquenta e a gente tem que sair

A luz chega a cegar se um ângulo qualquer pega no olho

Fica ali num segundo,

Um microondas

Menos tempo até

Frita você

Depois  quando fresco

Lá dentro

Olhando através das paredes

A mata

A mata

O rio

O mar

Lembrei de um mergulho que fiz numa ilha linda

E de ter ouvido claramente um peixe iluminado me dizer:

- O homem se mata com a própria boca!

Vou é ficar do lado de fora

Esperando a casa esfriar

Que daí já é quase noite

E tomar um banho de cachoeira

Preparando peixe

Cozinhando a banana

Assando a cabeça

Olhando a tampinha de “refri” que a onda trouxe

Como um sinal do fim dos tempos humanos.

Julho 29, 2011
dani rosa
0 comentários

Amormodernidade.sonho@social

Quantas mulheres hoje vivem por si

Numa escolha pessoal

Implicitamente sufocada

Por uma ideia fixada

De companhia

De alguém

Que cuida

E é cuidado


CUIDADO

Estar só pode significar estar plena de si

E isso destrói o romance

A história de final feliz

E começo perfeito

Com meio estragado

O outro em você sufocado

Sem existirem no agora o modo de antes de vocês

Mais que modos

Modas

Seres

Julho 26, 2011
dani rosa
0 comentários

Procuro um lugar

 

Procuro um espaçoso lugar

Espero que tenha tudo de bom

Como pensamentos, atitudes e pessoas coisas não palpáveis das pessoas tudo de bom

Pequenas atitudes tudo de bom

Em embalagens próprias

Econômicas

Ecológicas

Estética titica

E tocas de coisas pessoais intocadas

De âmago que rima com amargo

Deprimo

De agir em semear tristeza

E ação de coisas pequeninas vis …

Sem mais palavras

Sem mais energia para o mal

Sem mais (mal)

Bem mal ainda é mal

Sussurrando

Bem Bem

Bem

Bom

Gratidão

Amor

Tempero

Precisão

Sê inteiro Pessoa

Poesia

Eu em sinestesia

Em delimitar os cantos dos lugares que crio

E destruir com minhas palavras faladas

Tudo que meu silêncio ergueu

Grandes coisas

Estruturadas em momentos bons

Ao lado de boas pessoas

Com boas atitudes…

Energias

Pensamentos

Ações…

Julho 16, 2011
dani rosa
0 comentários

PRONTIDÃO

A gaivota sob a água.

No exato momento estica os pés e agarra o alimento.

Vivo.

Plainando retorna para o lugar onde veio.

Num ritual de vida.

Que livre é seu voar.

Em sua fome intensa e seu voo imenso.

Olhar sagaz.

Prazer e destino.

Som de ser recém – nascido.

Mesmo parecendo ter vivido muito…

Peruíbe, 14 de julho de 2011

DANIELA ROSA

Julho 16, 2011
dani rosa
0 comentários

RITMO NATURAL

Eu amo.

Como simples respirar.

Inalo o sol e choro estrelas.

Reflito a lua e ando em passos de pétalas com medo acordar a terra adormecida.

O silêncio escondido da existência alimenta o sonho.

O pesadelo é pensar que o ser é só e que o mundo lhe pertence.

Eu odeio.

Como simples defecar.

Expurgo as mentiras.

Assoo as embalagens.

Transpiro as futilidades facilmente substituíveis, que simulam o viver.

Peruíbe, 14 de Julho de 2011

DANIELA ROSA

Julho 16, 2011
dani rosa
0 comentários

CPTM

O moço no trem chegou pedindo ajuda.

Apresentou-se como livro aberto, tirando de uma pasta um atestado médico.

Eu tentava ler “A personagem de ficção” mas o cara parou bem na minha frente com sua voz estridente.

Ninguém o olhava a minha volta.

A saga inicia-se com ele saindo da prisão.

Estava ali por não querer mais “aquela vida”, se sim estaria cometendo “B.O” e não ali.

Doença na garganta.

Costurou muito ganhando pouco, bola na cadeia.

Dormia na rua sobre o papelão, coberto apenas por um lençol que trouxera da instituição carcerária.

Espero que esse tenha sido seu último delito.

4 de julho de 2011

DANIELA ROSA

Julho 4, 2011
dani rosa
0 comentários

Palavrão

Não é palavra grande.

É palavra suja.

Que não se fala.

Mas  se pensa

As vezes eu falo foda.

E foda é  coito metê sexo

Fazer amor

Coisa para adultos

Num mundo aonde existem crianças

Junho 27, 2011
dani rosa
0 comentários

Jazz

Uma música

Melodia

Noite eterna

Um aperto

No centro de dentro

Alguma saliva na boca

E um cheiro de ar

A mão faz o gesto de apertar

Firme

O sopro da melodia

Algum mexido no começo do estômago

Coisa de largar-se na cadeira misturada com espaço interno

Tudo que vem de fora reverbera dentro

Arrumo a coluna

A mexida interna ainda continua

Algo como satisfação gastronômica

Nem tinha percebido

Fui também

Alimentada

Achei que apenas

Compartilhava

Junho 27, 2011
dani rosa
0 comentários

Dona Ernestina

Todo domingo era dia de visitar a minha avó.

Paterna.

Alheia as coisas de criança.

Pouco interativa.

Sempre gostava de falar apenas sobre o que lhe interessava.

Nem de quitutes era muito.

Eu cresci comparando com a avó da minha vizinha.

Achando que não tinha uma de verdade.

Lembro dela na frente da tv.

Sempre.

Silvio Santos.

Carnês .

Dinheiro.

Ela sempre gostou de assuntos que falavam de grana.

Me lembro dela aprendendo a ler quando eu tinha 11 anos e meu avô morrera obrigando-a a aprender a assinar seu nome.

Me pediu várias vezes pra preencher folhas de cheque.

Lia mal.

Contava bem.

Hoje ela está alheia ao mundo.

Reconhece as pessoas.

Faz suas necessidades básicas com pouca ajuda.

Ainda  conta

mas também rasga

dinheiro

Vive misturas de passado e fragmentos de histórias.

Tem na cabeça, uma tv.

O Silvio Santos é agora pretendente dela.

Mas ela vai casar se com o português.

Lógico!

É bem mais rico do que o Silvio!

São Caetano, 27 de Junho de 2011

Daniela Rosa

Junho 18, 2011
dani rosa
0 comentários

Estou em busca de um atalho

Procuro um lugar que esconda as coisas que mostro ao mundo

Existe lugar assim?

Sinto tanto, mas me falta calor no sentir. É o que dizem as boas línguas.

Percebo agora, que perdi um tipo de sensibilidade muito comum, a de corresponder ao amor alheio.

Isso tá pesado, e cansa de um jeito que uma noite de sono não recupera.

Estou pronta para chorar.

Mas as lágrimas ficam com cor de dia nublado,  que ameaça e não chove.

A aceitação parece um devaneio distante, e o mundo uma atmosfera desconhecida.

Nesses dias assim. Tenho vontade de me anestesiar e ficar confortável em uma ilusão alheia a tudo que sou.

Pensar nas flores que nasceram e esquecer o perfume das que já não colorem o jardim. Mesmo a fragrância jamais tendo me abandonado o peito, é preciso ver o desabrochar de novas pétalas.

Minha fragilidade invisível está me matando aos poucos, por pertencer-me sem se compartilhar.

Preciso rapidamente de um elixir de sorrisos sinceros e abraços suportes para continuar essa longa jornada .

Pausa.

Um minuto de silêncio.

Daniela Rosa

São Caetano do Sul, 18 de Junho de 2011.