Tenho uma casa de vidro
Com um telhado incolor que da pra ver o sol de dia e a noite de lua estrelada
Com chuva forte, as goteiras aparecem, e cacos caem pela casa
Escorrem verdadeiros rios pelas paredes
Cada canto é uma queda, uma pequena cachoeira
Tem dias de seco também
O vidro esquenta e a gente tem que sair
A luz chega a cegar se um ângulo qualquer pega no olho
Fica ali num segundo,
Um microondas
Menos tempo até
Frita você
Depois quando fresco
Lá dentro
Olhando através das paredes
A mata
A mata
O rio
O mar
Lembrei de um mergulho que fiz numa ilha linda
E de ter ouvido claramente um peixe iluminado me dizer:
- O homem se mata com a própria boca!
Vou é ficar do lado de fora
Esperando a casa esfriar
Que daí já é quase noite
E tomar um banho de cachoeira
Preparando peixe
Cozinhando a banana
Assando a cabeça
Olhando a tampinha de “refri” que a onda trouxe
Como um sinal do fim dos tempos humanos.