chorei as lágrimas da nuvem cinza do dia que foi quente
pensei que fui a água corrente
e entendi que natureza é um pouco de gente
pedaço de coisa estranha
o pensamento arranha a alma
pedido de calma?
paz para calar o sussurro
este meu medo escuro
de tentar entender o que não tenho por dentro
o amor , o amar , o relento
poucas coisas são ditas em tom suave
muitas verdades graves
perfeita sincronia com a temperança
era o tempo de uma criança
que marcava os passos em mim
hoje perdi o ritmo da minha maturidade
deixei de lado a necessidade
estou parindo insanidade
preciso de um lugar sem eu
esqueci de como fugir
deixar pra traz a angústia da minha existência
apaguei a fórmula do sorriso fácil
meu livro não tem prefácio
tá tudo escrito de forma iletrada
coisas que nunca pensei estão sendo desenterradas
e queimam em mim sensações de sono profundo
tenho um corpo moribundo
quase normal
planta verde folha
algo vegetal
pulsante de melodia morta
viver de algo que importa
preciso sair daqui
tenho que ver que tenho mais pra oferecer
do que realmente estou disposta a entregar
mas por favor não peçam nada
ainda não estou pronta para nenhuma caridade
ainda estou crua
nua da verdade de ser
o vento chega
carregando a nuvem que me fez chover
a lua aparece minguando meu céu de estrelas que nunca poderão escurecer
tem como chegar lá?